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Paulo Morani

Jornalista MTE - 32.999/2011

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Municipio do Rio de Janeiro - Matrícula: 11.092/2015

(21) 99324-1904
paulomorani@paulomorani.com.br

ATOS DO PREFEITO: DECRETO RIO Nº 48706 DE 1º DE ABRIL DE 2021

Dispõe sobre as medidas emergenciais restritivas, de caráter excepcional e temporário, destinadas ao enfrentamento da pandemia de Covid-19, e dá outras providências.

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela legislação em vigor; e CONSIDERANDO o Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19, da Fiocruz / Ministério da Saúde, emitido em 30 de março de 2021, que monitora os índices de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG e acompanha a evolução da doença e seus efeitos correlatos em todo o país expedindo alertas técnicos à sociedade;

CONSIDERANDO as análises da situação epidemiológica da Covid-19 no Município, realizadas pelo Centro de Operações de Emergência – COE COVID-19 RIO;

CONSIDERANDO o princípio da precaução e a necessidade de conter a disseminação da Covid-19, de garantir o adequado funcionamento dos serviços de saúde e de preservar a saúde pública;

CONSIDERANDO a necessidade de racionalização do fluxo de pessoas no transporte público, de modo a evitar aglomerações, bem como a necessidade de planejamento das atividades produtivas e da vida cotidiana dos cidadãos;

CONSIDERANDO o acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal no

Referendo na Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 6.343-DF, que ratificou a competência administrativa concorrente dos entes federados para a adoção de medidas de combate à pandemia de COVID-19;

CONSIDERANDO o registro, no acórdão acima referenciado, no sentido de que “a gravidade da emergência causada pela pandemia do coronavírus (COVID-19) exige das autoridades brasileiras, em todos os níveis de governo, a efetivação concreta da proteção à saúde pública, com a adoção de todas as medidas possíveis e tecnicamente sustentáveis

para o apoio e manutenção das atividades do Sistema Único de Saúde”;

CONSIDERANDO a existência de interesse local nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição Federal,

DECRETA

Art. 1º Este Decreto dispõe, em caráter excepcional e temporário, sobre medidas emergenciais de natureza restritiva ao funcionamento de

atividades econômicas e à permanência de pessoas nas áreas públicas do Município, a vigorar a partir de 00h00min do dia 09 de abril de 2021 até 19 de abril de 2021, exceto o que especificamente disposto de forma diversa.

Parágrafo único. Aplicam-se as normas da Resolução Conjunta SES/ SMS nº 871, de 12 de janeiro de 2021, naquilo que não conflitar com o presente Decreto, considerado o nível de alerta 3 (risco muito alto) para todo o território do Município.

Art. 2º Fica permitido o funcionamento dos estabelecimentos com as seguintes atividades consideradas essenciais:

I - supermercado, laticínios, açougue, peixaria, comércio de gêneros alimentícios e bebidas, hortifrutigranjeiro, quitanda, padaria, confeitaria, bombonier, comércio varejista de doces, balas e confeitos, loja de conveniências, mercearia, mercado, armazém e congêneres, estando o consumo no local condicionado às restrições previstas para bares, lanchonetes, restaurantes e similares;

II - serviços assistenciais de saúde, atividades correlatas e acessórias, ótica, estabelecimentos de comércio de artigos farmacêuticos, correlatos, equipamentos médicos e suplementares e congêneres;

III - serviços de assistência veterinária, comércio de suprimentos para animais e cadeia agropecuária, serviços “pet” e cuidados com animais em cativeiro;

IV - assistência social e atendimento à população em estado de vulnerabilidade, incluindo instituições de longa permanência para idosos;

V - comércio de materiais de construção, ferragens e congêneres;

VI - estabelecimentos bancários e lotéricos, instituições de crédito, seguro, capitalização, comércio e administração de valores imobiliários e o serviço postal;

VII - comércio atacadista e a cadeia de abastecimento e logística;

VIII - feiras livres e móveis;

IX - bancas de jornal, vedada a exposição à venda e a comercialização de bebidas alcoólicas;

X - comércio de combustíveis e gás;

XI - comércio de autopeças e acessórios para veículos automotores e bicicletas, incluindo-se os serviços de mecânica e borracharias;

XII - estabelecimentos de hotelaria e hospedagem, com o funcionamento dos respectivos serviços de alimentação condicionado às restrições previstas para bares, lanchonetes, restaurantes e similares e, após as 21h00min, restrito aos hóspedes;

XIII - transporte de passageiros;

XIV - indústrias;

XV - construção civil;

XVI - serviços de entrega em domicílio;

XVII - serviços de telecomunicações, tele atendimento, internet e call center;

XVIII - serviços de locação de veículos;

XIX - serviços funerários;

XX - serviços de lavanderia;

XXI - serviços de estacionamento e parqueamento de veículos;

XXII - serviços de limpeza, manutenção e zeladoria;

XXIII - serviços de prevenção, controle e erradicação de pragas dos vegetais e de doença dos animais;

XXIV - atividades de segurança pública e privada, incluídas a vigilância, a guarda e a custódia de presos;

XXV - serviços de radiodifusão e filmagem, especialmente aqueles destinados ao trabalho da imprensa e transmissão informativa;

XXVI - atividades previstas na Resolução Conjunta SES/SMS nº 871, item 2.10;

XXVII - atividades que não admitam paralisação.

§ 1º É recomendável que as atividades que se desenvolvam em ambientes fechados, em particular os supermercados, mercados, hortifrutigranjeiros e as mercearias, ampliem o seu horário de funcionamento.

§ 2º As atividades previstas neste artigo poderão funcionar no interior de shopping centers, centros comerciais e galerias de lojas, observadas as restrições de horário.

§ 3º Ficam igualmente permitidas as competições e treinamentos de modalidades esportivas de alto rendimento, vedada em qualquer caso a presença de público.

Art. 3º Permanece suspenso:

I - o funcionamento de:

a) boates, danceterias, salões de dança e casas de espetáculo;

b) atividades econômicas nas areias das praias, incluindo-se o comércio ambulante fixo e itinerante;

c) comércio exercido em feiras especiais, feiras de ambulantes, feiras de antiquários e feirartes;

II - a permanência de indivíduos:

a) nas vias, áreas e praças públicas do Município no horário das 23h00min às 05h00min;

b) nas areias das praias, em parques e cachoeiras, em qualquer horário, incluindo-se a prática de esportes coletivos;

III - a prática de atividades físicas coletivas, circuitos e similares, inclusive orientadas por professores de educação física em praias, praças e logradouros públicos, bem como em áreas particulares;

IV - a realização de eventos de qualquer natureza, as festas, as rodas de samba, em áreas públicas e particulares;

V - as feiras, exposições, os congressos e seminários;

VI - a concessão de autorizações para eventos e atividades transitórias em áreas públicas e particulares;

VII - a entrada de ônibus e demais veículos de fretamento no Município, exceto aqueles que prestem serviços regulares para funcionários de empresas ou para hotéis, cujos passageiros comprovem, neste caso, reserva de hospedagem;

VIII - o estacionamento de veículos automotores em toda a orla marítima, exceto para os moradores, idosos, as pessoas com deficiência, os hóspedes de hotéis e táxis, bem como em trechos que poderão ser especificados em ato próprio da CET-RIO;

IX - a utlização das pistas de rolamento das avenidas Delfim Moreira, Vieira Souto e Atlântica e de ambos os sentidos das pistas de rolamento do Aterro do Flamengo como áreas de lazer.

X - o acesso ao trânsito de veículos à Avenida Estado da Guanabara, trecho compreendido entre a Estrada do Pontal e a Rua Professora

Francisca Caldeira de Alvarenga, e à Rua Professora Francisca Caldeira de Alvarenga, no trecho compreendido entre a Avenida Estrada da Guanabara e a Estrada do Grumari (Prainha e Grumari).

§ 1º O tráfego permanecerá aberto nas vias nominadas no inciso IX deste artigo, no período de vigência deste Decreto.

§ 2º A interdição de que trata o inciso X não se aplica aos veículos de moradores e aos destinados a socorro e emergência previstos nos incisos VII e VIII, do art. 29, do Código de Trânsito Brasileiro, bem como às viaturas oficiais em serviço.

§3º Ato próprio da autoridade competente especificará casos e condições em que poderá ser avaliada autorização para realização das atividades elencadas nos incisos V e VI deste artigo.

Art. 4º A prática de atividades físicas individuais em praças, parques, praias e logradouros do Município, bem como nos espaços abertos de uso comum em áreas particulares permanece liberada, desde que não gere aglomerações e atenda às Medidas de Proteção à Vida previstas na Resolução Conjunta SES/SMS nº 871, de 2021, observadas as vedações específicas previstas no inciso II, do art. 3º deste Decreto.

Parágrafo único. Os responsáveis por áreas particulares devem estabelecer o regramento interno que assegure à plena observância quanto ao uso responsável das áreas comuns, em consonância com o disposto no caput deste artigo.

Art. 5º Os estabelecimentos cujas atividades econômicas não estejam relacionadas nos arts. 2º e 3º deste Decreto terão o seu funcionamento restrito aos seguintes horários:

I - bares, lanchonetes, restaurantes, quiosques da orla e congêneres, permitido o consumo apenas para clientes sentados às mesas, até as 21h, com tolerância de 1h para efetivo encerramento do atendimento; após esse horário, admitido o funcionamento interno, com as portas cerradas, exclusivamente para o preparo de refeições e lanches destinados à entrega em domicílio (delivery), retirada no local (take away) ou drive thru, sendo vedado qualquer tipo de atendimento presencial ou consumo no local;

II - clubes sociais e esportivos, até as 21h00min, condicionado o acesso às áreas de lazer e recreação somente a partir das 11h00min;

III - museus, galerias, bibliotecas, cinemas, teatros, casas de festa, salas de apresentação, salas de concerto, salões de jogos, circos, recreação infantil, parques de diversões, temáticos e aquáticos, pistas de patinação, atividades de entretenimento, visitações turísticas, exposições de arte, aquários e jardim zoológico, com início das 12h00min e encerramento até as 21h00min;

IV - demais atividades de prestação de serviços, com início das 12h00min e encerramento até as 21h00min;

V - demais atividades comerciais, com início às 10h00min e encerramento até as 18h00min, incluindo-se o comércio ambulante em logradouros;

VI - órgãos não essenciais da Administração Pública, com início às 08h00min e encerramento às 17h00min.

§ 1º As atividades comerciais e de prestação de serviços localizadas no interior de shopping centers, centros comerciais e galerias de lojas deverão observar os horários de funcionamento determinados no caput deste artigo, conforme a natureza de suas atividades.

§ 2º As restrições previstas no inciso I deste artigo se aplicam também ao comércio de alimentos, bebidas e produtos por meio de veículos automotores, rebocáveis ou movidos à propulsão humana.

§ 3º Os estabelecimentos indicados no inciso VI deste artigo poderão retomar suas atividades a partir do dia 07 de abril de 2021.

Art. 6º Fica autorizado o funcionamento de creches, escolas, estabelecimentos de ensino e congêneres, a partir do dia 05 de abril de 2021.

Art. 7º É permitido e recomendável às empresas e entidades, em qualquer hipótese, a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para os seus colaboradores, afastando-os de suas atividades laborais presenciais nas dependências dos estabelecimentos.

Parágrafo único. Os empregadores devem estimular e garantir o auto isolamento dos casos suspeitos de Covid-19.

Art. 8º A fiscalização quanto ao cumprimento do disposto neste Decreto ficará a cargo:

I - da Secretaria Municipal de Ordem Pública - SEOP, por meio de suas unidades operacionais e órgãos delegados;

II - da Guarda Municipal do Rio de Janeiro - GM-RIO;

III - da Secretaria Municipal de Saúde - SMS, por meio do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária, Vigilância de Zoonoses e de Inspeção Agropecuária - S/IVISA-RIO.

Parágrafo único. Caberá à SEOP o planejamento e a coordenação das operações de fiscalização, bem como a consolidação dos resultados alcançados e a integração dos órgãos envolvidos.

Art. 9º Para fazer cessar o descumprimento das normas previstas neste Decreto, os órgãos citados no art. 8º e seus agentes poderão, nos termos da legislação pertinente, reter ou apreender mercadorias, produtos, bens, equipamentos fixos e móveis, instrumentos musicais e veículos automotores e rebocáveis, sem prejuízo da aplicação de multa e interdição do local ou estabelecimento.

§ 1º A modalidade de entrega em domicílio independe de expressa menção no alvará de funcionamento para o setor de alimentos (bares, restaurantes e congêneres).

§ 2º Em se tratando de veículos retidos ou apreendidos, a unidade competente da SEOP providenciará a remoção para o depósito, após a lavratura do documento correspondente pela autoridade competente.

§ 3º Nos demais casos, a Coordenadoria de Controle Urbano providenciará o acautelamento em depósito, inclusive quando se tratar de retenção praticada por agente da GM-RIO ou apreensão realizada por autoridade fiscal do S/IVISA-RIO.

§ 4º O descumprimento do disposto neste Decreto poderá ensejar a configuração de crime previsto no art. 268 do Código Penal Brasileiro, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.

§ 5º As multas aplicáveis a pessoas físicas decorrentes de inobservâncias ao presente Decreto ficam fixadas em R$ 562,42, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto Rio nº 45.585, de 27 de dezembro de 2018.

§ 6º No período de vigência deste Decreto fica delegada competência aos fiscais de atividades econômicas para, excepcionalmente, praticar atos materiais em auxílio às autoridades fiscais do S/IVISA-RIO, no enquadramento de atos infracionais relativos às medidas ora instituídas e na aplicação das penalidades correspondentes, na forma prevista, respectivamente, nos arts. 36 e 42, da Lei Complementar nº 197, de 27 de dezembro de 2018.

§ 7º Considerando como agravantes as peculiaridades e consequências do caso concreto, avaliada a partir da matéria de fato e em razão do dano causado ou que venha a causar em decorrência do iminente risco de contágio por Covid-19, poderá o Presidente do S/IVISA-RIO determinar de ofício às autoridades fiscais do órgão, a classificação das infrações sanitárias relativas às Medidas de Proteção à Vida como gravíssimas, nos termos do art. 34, do Decreto Rio nº 45.585, de 27 de dezembro de 2018 e do art. 42, da Lei Complementar nº 197, de 27 de dezembro de 2018.

§ 8º As autoridades fiscais do S/IVISA-RIO e os fiscais de atividades econômicas, bem como os guardas municipais e os agentes de inspeção de controle urbano poderão determinar a interdição cautelar imediata de estabelecimentos e atividades nos casos de descumprimentos do disposto neste Decreto, que poderá se estender por no mínimo 15 (quinze) dias, sem prejuízo da aplicação de multas e da propositura de cassação de licença ou autorização de funcionamento.

§ 9º O descumprimento da interdição cautelar ensejará cassação do alvará de funcionamento.

§ 10. As infrações referenciadas neste Decreto ensejarão aplicação de pena, ainda que constatadas por outros meios que não a presença de agentes de fiscalização.

§ 11. Por medida de controle sanitário, as autoridades máximas dos órgãos de vigilância sanitária ou de ordem pública poderão determinar interdições cautelares imediatas por atividade econômica e por logradouro ou perímetro.

§ 12. Poderão os agentes estaduais de segurança pública encerrar as atividades dos estabelecimentos previstos neste Decreto, sem a necessidade da presença de um agente público municipal, providenciando-se a devida notificação da ocorrência à SEOP.

Art. 10. Os órgãos citados no art. 8º poderão editar atos complementares ao disposto neste Decreto.

Art. 11. Fica prorrogada até as 23h59min do dia 08 de abril de 2021 a vigência do Decreto Rio 48.644, de 22 de março de 2021, bem como todos os atos publicados pelos titulares dos órgãos da Administração Direta e Indireta do Município, nos termos do art. 6 daquele Decreto.

Art. 12. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 1º de abril de 2021; 457º ano da fundação da Cid

EDUARDO PAES

Ministério da Saúde usou a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para produzir cloroquina!

 A manchete da Folha denuncia que o Ministério da Saúde usou a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para a produção de 4 milhões de comprimidos de cloroquina, com o emprego de recursos públicos emergenciais voltados a ações contra a Covid-19 e com destinação prevista do medicamento a pacientes com coronavírus. 

 

A manchete do Correio informa que o Planalto caiu na real e vai retomar as medidas que evitaram o pior em 2020, entre elas vai reeditar o auxílio emergencial, antecipar o pagamento do abono do PIS-Pasep e simplificar o acesso ao crédito. Avalia-se, ainda, antecipar o 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS. 

 

As manchetes do Estadão e O Globo tratam da aprovação pela Câmara da autonomia do Banco Central como um aceno à agenda econômica do governo. A manchete do Valor trata do desafio que o BC tem pela frente em função da queda de 6,1% nas vendas do varejo em dezembro. O receio é que o banco tenha que elevar a taxa de juros.  

 

Documentos do Ministério da Saúde obtidos pela Folha, com datas de 29 de junho e 6 de outubro, mostram a produção de cloroquina e também de fosfato de oseltamivir (o Tamiflu) pela Fiocruz, com destinação a pacientes com Covid-19. Os dois medicamentos não têm eficácia contra a Covid-19, segundo estudos. 

 

O dinheiro que financiou a produção partiu da MP (Medida Provisória) nº 940, editada em 2 de abril pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o enfrentamento de emergência do novo coronavírus, como consta nos dois documentos enviados pelo Ministério da Saúde ao MPF (Ministério Público Federal) em Brasília. A MP abriu um crédito extraordinário, em favor do ministério, no valor de R$ 9,44 bilhões. 

 

Para a Fiocruz, que é vinculada à pasta, foram destinados R$ 457,3 milhões para "enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus". Na exposição de motivos sobre a MP, não houve detalhamento de como o dinheiro seria gasto. 

 

O texto da Presidência da República enviado ao Congresso fala em "produção de medicamentos". Os documentos enviados ao MPF apontam gastos de R$ 70,4 milhões, oriundos da MP, com a produção de cloroquina e Tamiflu pela Fiocruz. 

 

Os ofícios associam a produção dos dois medicamentos aos recursos destravados para a pandemia. As drogas se destinam a pacientes com Covid-19, segundo os mesmos ofícios, elaborados por uma coordenação da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde.

Desigualdade econômica: o que é a 'curva do elefante', que ajuda a entender as diferenças entre ricos e pobres no mundo

A 'curva do elefante', que representa a desigualdade no mundo, é um dos gráficos mais influentes dos últimos anos Imagem: BBC

Cecilia Barría - BBC News Mundo

É considerado um dos gráficos mais influentes dos últimos anos.

A "curva do elefante" mostra o quanto o nível de renda nos diferentes grupos sociais do mundo aumentou durante duas décadas, do 1% mais pobre (à esquerda) ao 1% mais rico (à direita).


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Ela apareceu pela primeira vez em dezembro de 2012 no estudo "Desigualdade em números", de autoria de Branko Milanovic, mas costuma ser citada por sua presença, um ano depois, em "Distribuição da renda global: da queda do muro de Berlim à Grande Recessão", trabalho de Milanovic e Christoph Lakner.

Com o formato de um elefante, ela mostra quem foram os ganhadores e perdedores da globalização entre 1988 e 2008.

A maior parte da população mundial viu sua renda crescer. Esse aumento é representado pela parte superior da curva (equivalente às costas e à cabeça do elefante).

Quem são todas essas pessoas? Basicamente, as classes médias de economias emergentes da Ásia, sobretudo em países como China e Índia.

Se dividirmos a população mundial em 100 partes iguais (percentis), como faz o gráfico, veremos que o grande aumento na renda acontece entre o 10º e o 60º percentis, aproximadamente.

E dentro desse grupo, os mais beneficiados são aqueles que se situam em torno da média, com um aumento espetacular de renda entre 70% e 80% (os pontos mais altos da curva).

Nesse pico, há cerca de 200 milhões de cidadãos chineses, 90 milhões de indianos e cerca de 30 milhões de pessoas da Indonésia, Brasil e Egito.
 

 Gráfico mostra a curva do elefante  Imagem: BBC

Os outros grandes ganhadores foram o 1% mais rico do mundo, que ficou muito mais rico nesse período.

Esse seleto clube de milionários poderosos é representado pela tromba empinada do elefante.

O sucesso foi tanto que viram sua renda real crescer mais de 60% durante as duas décadas analisadas.

Agora vamos para o lado dos perdedores. Lá estão — além dos 5% mais pobres da população que não viram nenhuma mudança —, as classes médias dos países desenvolvidos do Ocidente, representadas pela parte baixa da curva.

Essas classes, que em geral apresentaram uma renda estagnada, estão posicionadas entre os percentis 75 e 90 no gráfico.

"A estagnação da renda das classes médias no Ocidente tem sido uma fonte de descontentamento social e de aumento do populismo, algo que pode ser visto em fenômenos como Brexit ou Donald Trump", diz Branko Milanovic em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Segundo ele, foi uma "mudança extraordinária" na distribuição de renda.

"Foi provavelmente a reorganização global mais profunda desde a revolução industrial", afirma Milanovic, que é acadêmico da City University de Nova York e pesquisador sênior do Stone Center on Socio-economic Inequality.

O elefante sumiu

Com a chegada da Grande Crise de 2008, começa um novo período na história econômica e um reajuste na distribuição global de renda.

Essa crise, que começou com as chamadas "hipotecas tóxicas" nos Estados Unidos e se espalhou pelo resto do mundo, marcou um antes e depois na distribuição da riqueza.

Isso foi confirmado por Milanovic em um estudo publicado em julho "Depois da crise financeira: a evolução da distribuição de renda global entre 2008 e 2013". (A análise só vai até esse ano porque os dados globais subsequentes ainda não estão disponíveis.)

Nesta nova pesquisa, aconteceu algo surpreendente: o elefante perdeu a tromba.

 

Gráfico sem a curva do elefanteImagem: BBC

Isso significa que o 1% mais rico do mundo não se saiu tão bem quanto antes da Grande Crise. E, em termos gerais, a desigualdade global diminuiu.

O que não mudou substancialmente foi o fato de que mais uma vez a classe média asiática seguiu prosperando, enquanto a classe média ocidental continuou a ficar para trás.

O novo gráfico mostra que grande parte da população asiática avançou do meio da distribuição de renda mundial para os setores mais elevados, ou seja, do centro para a direita.

"Não existe mais elefante, essa forma está desaparecendo", explica Milanovic.

À medida que China e Índia se movem cada vez mais em direção à zona de renda mais alta, a forma do gráfico continua a se transformar.

De acordo com o pesquisador, as projeções indicam que a Ásia deve gradualmente deslocar os europeus e americanos que hoje dominam os 20% mais ricos.

"Essa mudança é algo que não vimos nos últimos 200 anos."

 

 

A incógnita

Embora não esteja claro o que aconteceu depois de 2013 devido à falta de dados, há certos indicadores parciais que podem nos dar alguma luz.

Por exemplo, olhando exclusivamente para a evolução do fenômeno nos EUA — cujos cidadãos representam quase metade do 1% no topo — "não se pode descartar que os mais ricos tiveram uma recuperação em suas receitas entre 2013 e a pandemia", diz Milanovic.

Outros estudos sobre desigualdade, como o "2018 World Inequality Report", dos economistas Facundo Alvaredo, Lucas Chancel, Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, estendem suas análises até 2016, embora utilizem outra metodologia.

Uma de suas conclusões é que a tromba se empina muito mais e os ultrarricos aparecem ainda mais beneficiados.

O que muitos estão se perguntando atualmente é como a pandemia de covid-19 e a crise econômica global que o mundo viveu em 2020 estão afetando a desigualdade.

Pouco se sabe sobre seu impacto nas classes médias asiáticas e nos países desenvolvidos. Menos ainda sobre como mudou a situação do 1% mais rico.

Mas o que os economistas estimam é que dentro de cada país, as desigualdades provavelmente aumentaram, considerando o duro golpe que a pandemia desferiu sobre os setores mais pobres.

De uma perspectiva histórica mais ampla, ao analisar a distribuição global da renda nas últimas décadas, ou o que está claro, diz Milanovic, é que a desigualdade tem diminuído no mundo.

Mas então... por que ouvimos constantemente alertas de que a desigualdade está aumentando?

É uma questão de como as coisas são medidas, diz o economista. É verdade que a desigualdade entre ricos e pobres em muitos países aumentou — e é isso que, segundo ele, as pessoas percebem em seu dia a dia.

Também é verdade que ao medir quanto o 1% mais rico concentra em relação à renda total, a situação pode se tornar preocupante.

Mas a análise de Milanovic, usando métodos tradicionais como o Índice de Gini e uma amostra populacional de mais de 130 países, mostra que o mundo é menos desigual, principalmente por causa do peso que a "ascensão da China" tem.

"Se o que vimos nas últimas três décadas continuar, a distância entre o Ocidente e a Ásia continuará a diminuir, mas é muito difícil saber o que acontecerá no futuro", adverte Milanovic.

Não é à toa que se afirmar que este poderia ser o "século asiático", como a contrapartida econômica do que foi a ascensão global das classes médias ocidentais durante o século 20, sob domínio americano.